MULHER COM DEFICIÊNCIA: CORPO, BIOPODER E RESISTÊNCIA

Autores/as

  • Sílvia de Souza Campos Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

DOI:

https://doi.org/10.55028/3e1hct08

Resumen

da teoria crítica feminista e da biopolítica. Compreende-se a deficiência não apenas como uma condição biológica, mas como uma situação socialmente construída por discursos, práticas e relações de poder que produzem desigualdades e exclusões. Nessa perspectiva, a mulher com deficiência ocupa uma posição marcada tanto pelas relações de gênero quanto pelos estigmas associados à deficiência. A discussão fundamenta-se na crítica feminista à produção histórica da mulher como “Outro”, condição que se intensifica quando a deficiência é incorporada às representações sociais do corpo feminino. Essas mulheres são frequentemente associadas à dependência, fragilidade e incapacidade, o que contribui para processos de invisibilização e negação de sua independência e autonomia, cerceando sua autogestão e sua autodefensoria. Em diálogo com a biopolítica, o estudo problematiza a atuação dos discursos médicos e institucionais na normalização dos corpos considerados desviantes dos padrões hegemônicos de feminilidade, funcionalidade e re-produtividade. Por meio de revisão bibliográfica, o artigo examina como práticas de classificação, controle e intervenção sobre o corpo da mulher com deficiência produzem efeitos sobre sua subjetividade, limitando o reconhecimento de sua participação social. Observa-se que tais mecanismos reforçam relações de poder que naturalizam a exclusão e restringem a construção da sua identidade. Conclui-se que a compreensão da deficiência como fenômeno social e cultural permite questionar processos de normalização e subordinação historicamente produzidos. Defende-se a necessidade de reconhecer as mulheres com deficiência como sujeitos de direitos e protagonistas de suas próprias narrativas, contribuindo para a construção de práticas sociais mais inclusivas e emancipatórias.

Publicado

2026-09-10