TECNOLOGIAS DE RELAÇÃO: DISPOSITIVOS ARTÍSTICOS PARA CRIAR PARENTESCO ENTRE ESPÉCIES

Autores/as

  • Graziela Brum da Silva Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

DOI:

https://doi.org/10.55028/7aqsdj21

Resumen

Este ensaio crítico-criativo nasce do encontro entre uma mulher e uma árvore de pau-rosa (Aniba rosaeodora), batizada Aniba, no território amazônico do Campo de Heliantos. (Alter do Chão, Pará), e do gesto de criar uma relação de parentesco. Aciona-se como tecnologias de relação o diário etnográfico, inspirado na poesia de Alejandra Pizarnik; as monotipias, impressões únicas entre pele e casca e a fotoperformance, utiliza o corpo feminino como suporte ao lado da árvore. Por meio desses dispositivos artísticos, instaura-se um vínculo transcorporal e evoca-se o termo transtemporal, de tempos adensados, com o objetivo de encontrar, tanto para a árvore quanto para a mulher, novas formas de existir e de se relacionarem diante de um presente em ruínas. O passado violento da dizimação de 2.000 exemplares da espécie Aniba rosaeodora (floricídio) em favor da perfumaria europeia é reabitado em ritual poético para que, desse habitar, emerja outra relação com o futuro. Diante desse contexto arbitrário, os dispositivos artísticos não pretendem curar, mas reconstruir novos saberes, novas formas de estar e de se conectar. Em diálogo com Donna Haraway e Silvia Rivera Cusicanqui, o texto afirma a escrita afetiva e a prática artística como modos de produzir territórios existenciais de subjetividade e parentesco com o mais-que-humano, recusando ao mesmo tempo o antropocentrismo e a romantização colonial da floresta.

Publicado

2026-09-10