A Matemática como um Instrumento de Poder e Proteção nas Memórias Escolares de Professoras e Professores LGBTI+ de Matemática

Palavras-chave: Professoras e professores LGBTI de Matemática, Vivências escolares, Matemática e poder, Narrativas (auto)biográficas

Resumo

(Re)conhecendo a matemática escolar como (re)produtora de normas sociais regulatórias em relação às pessoas LGBTI+, faz-se necessário ouvirmos essas vozes para investigarmos como se dão as relações entre corpos dissidentes das normas sociais de gênero e sexualidade e a matemática. Diante disso, o objetivo deste artigo é analisar narrativas (auto)biográficas de professoras e professores LGBTI+ de matemática sobre as relações estabelecidas entre suas vivências escolares enquanto corpos dissidentes e a matemática. Para isso, foram realizadas, virtualmente, entrevistas com seis docentes LGBTI+ de matemática de diferentes regiões do Brasil. Os resultados apontam os cenários de discriminação que foram vivenciados por participantes da pesquisa durante a educação básica, evidenciando o domínio do saber matemático mobilizado como um instrumento para respeito e proteção durante esse período e estranhando essa mobilização que implica em um status de poder.

Biografia do Autor

Hygor Batista Guse, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Professor da Educação Básica na rede municipal de Maricá/RJ. Doutorando em Ensino de Matemática pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino de Matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro. E-mail: hygor.guse@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2052-4998.  

Agnaldo da Conceição Esquincalha, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Professor do Instituto de Matemática e do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Matemática - PEMAT/UFRJ, com Estágio Pós-Doutoral no Programa de Pós-Graduação em Educação e Ciências e Matemática da UFRRJ. Doutor em Educação Matemática pela PUC-SP, Mestre em Modelagem Computacional pela UERJ e Licenciado em Matemática pela UFRRJ. Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Matemática (PEMAT/UFRJ), Coordenador de Matemática no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) na UFRJ e Presidente da Comissão de Orientação e Acompanhamento Acadêmico do Instituto de Matemática da UFRJ. Ex-Diretor da Sociedade Brasileira de Educação Matemática - Regional Rio de Janeiro (2019-2021). Líder dos Grupos de Pesquisa "TIME: Tecnologias, Inclusão, Matemática e Educação" e "MatematiQueer: Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática", cadastrados no CNPq, e Professor Formador na Licenciatura em Matemática a distância do Consórcio CEDERJ. Foi Professor do Departamento de Matemática da Faculdade de Formação de Professores da UERJ, onde atuou como Coordenador da Licenciatura em Matemática e Professor do Programa de Pós-Graduação em Matemática (PROFMAT/UERJ). Antes disso, foi Professor do Departamento de Matemática da PUC-Rio, Coordenador de Matemática nas Diretorias de Extensão e de Mídias Digitais da Fundação CECIERJ, Professor Pesquisador do Laboratório de Novas Tecnologias de Ensino da UFF, Coordenador de Tutoria do Programa de Formação de Professores de Matemática do Estado de São Paulo e Coordenador Geral de Matemática dos Programas de Formação Continuada da SEEDUC-RJ/CECIERJ. Além disso, foi Professor Substituto nas áreas de Matemática e Educação Matemática na UFRJ, na UERJ e na UFRRJ, além ter sido bolsista de desenvolvimento de projetos em EaD na UNIRIO, e professor na Rede Pública Estadual do Rio de Janeiro. Tem experiência nas áreas de Tecnologias Digitais em Educação Matemática, Educação Matemática Inclusiva e Estudos de Gênero. E-mail: agnaldo@im.ufrj.br. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5543-6627.

 

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Publicado
2022-08-31
Como Citar
GUSE, H. B.; ESQUINCALHA, A. DA C. A Matemática como um Instrumento de Poder e Proteção nas Memórias Escolares de Professoras e Professores LGBTI+ de Matemática. Perspectivas da Educação Matemática, v. 15, n. 38, p. 1-21, 31 ago. 2022.