A Constituição da Identidade do Professor de Matemática no Olhar do Paradigma da Complexidade

Lênio Fernandes Levy

Resumo


Nas páginas iniciais deste artigo (após a introdução), aborda-se o paradigma epistemológico da complexidade segundo as proposições de Edgar Morin, dando-se ênfase a alguns princípios complexos morinianos: o organizacional/sistêmico, o dialógico, o recursivo e o hologramático. Ainda no que se refere à apresentação de concepções atinentes ao citado paradigma, expõem-se motivos quanto à necessidade de encarar-se a Educação sob a ótica da complexidade. Em seguida, discorre-se acerca da relação complexa entre o “eu” e o “outro” na constituição da identidade, o que tem a ver com as duas dimensões identitárias (a individual e a coletiva) apregoadas por Dubar. Liames envolvendo os ideários de Edgar Morin e de Claude Dubar, no que tange à constituição identitária, são então sublinhados. Após as referidas considerações, aborda-se a identidade do professor de Matemática e o seu caráter complexo, em consonância, inclusive, com a perspectiva dubariana. Nesse ponto do texto, defende-se que “ensinar Matemática” é uma característica marcante do “professor de Matemática”. Na seção do artigo imediatamente anterior à conclusão, realizam-se reflexões sobre a repercussão de práticas de investigação na constituição da identidade de professores de Matemática em formação inicial, argumentando-se que, quanto mais professores de Matemática em formação inicial aderirem à ideia e à prática do “professor pesquisador”, mais essa ideia e essa prática tenderão a impregnar a identidade docente genérica/coletiva do licenciando em Matemática. O presente trabalho volta-se, em suma, para o caráter complexo do processo identitário, destacando-se (e/ou buscando-se construir) um diálogo entre ideias de Claude Dubar e Edgar Morin.


Palavras-chave


Complexidade. Identidade. Professor de Matemática.

Texto completo:

P. 20-40

Referências


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