Contextos e Sem-textos: Uma Formação de Professoras (de Matemática) para Todos e para Ninguém

  • Danilo Olímpio Gomes Instituto Federal de Alagoas (IFAL), campus Piranhas.
  • Bianca Santos Chisté Universidade Federal de Rondônia UNIR/Rolim de Moura.
  • Diego de Matos Gondim Unesp – Rio Claro/SP
Palavras-chave: Filosofia Contemporânea, Educação Matemática, Acontecimento, Diferença, Formação de professoras

Resumo

Buscamos problematizar a formação de professoras (de Matemática) em duas cenas: Intransdução e Modulações Conduzidas. Ambas estão marcadas pelos signos-conceituais do ser defasado e do devir, operados em Gilbert Simondon e Gilles Deleuze. Na primeira, problematizamos a ideia de contextos de regulação sob seus aspectos binários para propor uma formação de professoras como expressão de um devir ou de um processo de individuação que não separa indivíduo e meio e sequer o concebe como algo que se relaciona dialeticamente, mas como uma singularidade. Na segunda, problematizamos o poder da professora (de Matemática) exercitando um pensar essa formação como potência ontogenética que expressa uma singularidade-acontecimental assumindo a formação como um plano de composição sempre se defasando. Assim, a unidade, a dualidade, o binarismo e expressões essencialistas concernentes à formação de professoras (de Matemática) são contestadas em função de uma perspectiva filosófico-epistemológica que assume o encontro como possibilidade da invenção de novos-possíveis.

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Publicado
2020-01-14
Seção
Formação de professores que ensinam matemática em contextos de regulação e perda