O fantástico realista em Barbey d’Aurevilly
a poética da perversão e o romance em Une vieille maîtresse (Uma antiga amante)
DOI:
https://doi.org/10.55028/221w9w76Palavras-chave:
Realismo fantástico, Poéticas da perversão, História e ficção, Barbey d’AurevillyResumo
Para a poética escatológica de Jules Amédée Barbey d’Aurevilly, o mal do mundo é a prova máxima da existência dos mistérios sagrados de Deus. Sendo assim, quando em 1851 o autor expressa sua ambição por criar “um fantástico novo, sinistra e corajosamente sobrenatural” essas palavras revelam não apenas um desejo profundo por uma literatura impactante, mas também antecipam uma concepção literária complexa. Nela se opõem e se complementam noções de profano e sagrado, história e ficção, romance e realidade, a fim de fundar um modelo possível do que o autor enxerga como sendo o fantástico realista em oposição ao realismo fantástico. Para analisar como esse projeto poético se articula no romance Une Vieille Maîtresse (1851), o presente artigo propõe, primeiramente, uma breve discussão teórica das características do gênero fantástico e de sua íntima relação com a racionalidade e a verossimilhança. Para isso, parte-se do racionalismo literário de Catherine Gallagher em direção à taxonomia de Tzvetan Todorov. Em seguida, ancorado pelos trabalhos de e Jacyntho Lins Brandão e Julie Anselmini, o artigo analisa como d’Aurevilly se apropria e modela a verossimilhança através de recursos diegéticos próprios ao processo narrativo. Por fim, propõem-se um close reading do romance de forma a destacar como tais recursos são aplicados a fim de criar um universo literário efetivamente capaz de burlar os limites entre a história e o romance, sustentar a hesitação fantástica e materializar o sobrenatural ao mesmo tempo que mistifica o profano.
Referências
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