Entre a espera e a renúncia
imagens do discurso amoroso em Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão de Hilda Hilst e em Traquínias de Sófocles
DOI:
https://doi.org/10.55028/psh4fq93Palavras-chave:
Literatura comparada, Hilda Hilst, SófoclesResumo
O presente trabalho tem como objetivo analisar as figuras da espera e da renúncia no discurso amoroso de Ariana, em “Ode descontínua para flauta e oboé. De Ariana para Dionísio”, presente em Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão (Hilst, 2017), e de Dejanira, em Traquínias, de Sófocles. A pesquisa parte da duplicidade de Eros — entre a temperança e o desejo — apresentada por Platão em Fedro e Banquete, articulando-a à representação trágica e poética do feminino. Adota-se, para este propósito, uma metodologia comparatista, conjugando os discursos literários e filosóficos, com apoio teórico de Barthes (2003) e Brandão (2014). A análise evidencia que o discurso amoroso configura-se como encenação da falta e da impossibilidade de correspondência, mas também como gesto de resistência simbólica: enquanto em Traquínias a ausência conduz à dissolução e à morte, em Hilst, ela é transmutada em verbo e criação.
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