INFLUÊNCIAS EXTERNAS À CLASSE NO ENSINO DO PLANO CARTESIANO EM DUAS DÉCADAS:

UMA ANÁLISE DE LIVROS DIDÁTICOS

Autores

Resumo

Este resumo apresenta os caminhos iniciais de uma pesquisa em desenvolvimento no mestrado em Educação Matemática da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. A ideia surgiu a partir de inquietações acadêmicas ao pensar nas alterações curriculares, nos livros didáticos e em fatores externos à classe que influenciam as mudanças no ensino de um objeto. O objetivo é investigar a proposta de ensino do plano cartesiano ao longo de duas décadas, e a escolha por esse objeto surgiu do interesse do pesquisador pela área da geometria e pelo fato de ter afinidade com a geografia ao pensar na localização em mapas. Assim, a partir da interseção entre as duas áreas, o plano cartesiano foi se estruturando como objeto a ser estudado. Foram realizadas pesquisas para verificar a presença do plano cartesiano em situações quotidianas, por exemplo, sua utilização para o sistema de endereços de uma cidade, e a importância desse objeto na geografia, inferindo que o plano cartesiano é um objeto que “circula” por várias instituições. Nesse momento, a pesquisa se volta ao estudo do livro didático e, para entender e modelizar algumas situações uma lente teórica seria necessária. Inicialmente, duas teorias da Didática da Matemática (DDM) - a Teoria das Situações Didáticas (TSD) (Brousseau, 1986) e a Teoria Antropológica do Didático (TAD) (Chevallard, 1991) foram estudadas e, para atingir os objetivos, a pesquisa está dividida em etapas para a produção dos dados. Primeiro, realizou-se uma busca por referências ao plano cartesiano nos documentos oficiais e quais orientações contêm para o ensino desse objeto. Foram lidos os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), que não era normativo mas foi amplamente utilizado, e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) por ser o atual documento normativo norteador dos currículos. Com esses estudos, já foi possível constatar diferenças no ensino do plano cartesiano, uma vez que, por exemplo, com a BNCC a introdução a esse objeto ocorre no 5º ano do Ensino Fundamental, e nos PCN ocorre nos anos finais, e o estudo de certos conceitos que remetem ao plano cartesiano foram deslocados para outros anos escolares. Sendo assim, recorremos ao estudo dos livros didáticos para verificar a organização do ensino do plano cartesiano nesse material e utilizou-se o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) para selecionar uma coleção de mesma autoria aprovada à época dos PCN e que permaneceu com a BNCC. Nesse caminhar paralelo de estudo dos documentos, dos livros didáticos e das teorias da DDM, a TAD foi escolhida por conter elementos que permitem analisar e responder aos objetivos da pesquisa. O estudo da Transposição Didática permite entender como um objeto chega ao livro didático, por quais transformações ele passa, o que influencia e determina tais transformações. Para estudar o que está presente no livro didático, propomos realizar a análise praxeológica do ensino do plano cartesiano por meio do caminho metodológico proposto por Bittar (2017) acerca da análise de livros didáticos à luz da TAD. Os dados produzidos a partir do estudo dos livros didáticos serão analisados à luz dos Níveis de Co-determinação Didática (Chevallard, 2002), que permitirá estudar as influências externas à classe que influenciaram e causaram mudanças na organização e ensino do plano cartesiano. Dessa forma, esta pesquisa busca contribuir com estudos sobre análise de livros didáticos desenvolvidos pelo grupo de estudos em didática da matemática (DDMat) e com reflexões acerca das mudanças curriculares e do ensino.

Biografia do Autor

  • Filipe André Cruz Adegas, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS

    Estudante do Mestrado em Educação Matemática - PPGEdumat, sendo aprovado em 2024 no 3 lugar e também é membro do DDMat - Grupo de Estudos em Didática da Matemática. Concluinte do curso Técnico Integrado em Informática do IFMS Campus Aquidauana. Formado em Matemática Licenciatura pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - Campus Aquidauana (UFMS - CPAQ) desde 2023, sendo aprovado em 1 lugar no Vestibular UFMS em 2020. Participou do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) na escola Cândido Mariano em Aquidauana MS de 2020 até 2022 e participou do Programa Residência Pedagógica na escola Dóris Mendes Trindade em Aquidauana MS de 2022 a 2024. Foi monitor e ministrante do projeto de ensino Matemática Básica do CPAQ. Participou do Programa Institucional de Iniciação Científica Voluntária e Iniciação Tecnológica Voluntária (PIVIC E PIVITI) da UFMS em 2022 e 2023, e de atividades orientadas de ensino de 2021 a 2023. É pesquisador em Educação Matemática, com um desejo de contribuir para o avanço da área de pesquisa, e membro da SBEM. Possui interesse em atividades extraclasse como Feiras de Ciências, monitorias de ensino, projetos de ensino e extensão. Possui interesse pelos temas: Educação Matemática, Didática da Matemática, Teoria Antropológica do Didático, Teoria das Situações Didáticas, Álgebra Linear, Economia, Investimentos, Câmbio.

  • Marilena Bittar, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS

    Professora Titular Sênior do Instituto de Matemática da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e do Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática da UFMS, do qual foi coordenadora de 2007 a 2011 e de 2013 a 2016; Pesquisadora Produtividade Pesquisa do CNPq. Graduada em Matemática- Licenciatura Plena pela UFMS (1984), mestre em Matemática pela Universidade de Brasília (1987), doutora em Didática da Matemática pela Universidade Joseph Fourier / Grenoble I , França (1998) e pós doutora em Educação Matemática pela Universidade Grenoble-Alpes. É membro do GT 14 (SBEM) - Didática da Matemática, do qual foi líder fundadora,e coordenou de 2014 a 2018; é líder do DDMat - Grupo de Estudos em Didática da Matemática e participa do GEPEDEMI - Grupo de Estudos e Pesquisas em Didática e Educação Matemática Inclusiva. É membro do Grupo Assessor Especial da Diretoria de Relações Internacionais da CAPES-DRI. Desenvolve e orienta pesquisas em Didática da Matemática desde 1999, com foco, nos últimos 10 anos, principalmente na Teoria das Situações Didáticas (TSD) e na Teoria Antropológica do Didático (TAD). Um dos seus centros de interesse é a análise de livros didáticos de matemática, para a qual desenvolveu um modelo baseado na TAD. Além disso, tem investigado , junto com orientandos e participantes do DDMat, escolhas de professores em suas aulas de matemática. Tem desenvolvido parceria com pesquisadores franceses desde o inicio da década de 2000 e mais recentemente com pesquisadores espanhóis.

Referências

BITTAR, Marilena. A Teoria Antropológica do Didático como ferramenta metodológica para análise de livros didáticos. Zetetiké, Campinas, SP, v. 25, n. 3, p. 364–387, 2017. DOI: 10.20396/zet.v25i3.8648640. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/zetetike/article/view/8648640. Acesso em: 7 jul. 2024.

BROUSSEAU, Guy. Fondements et Méthodes de la Didactique des Mathématiques. Recherches en Didactique des Mathématiques, Grenoble, v. 7, n. 2, p. 33-116, 1986. Disponível em: https://revue-rdm.com/1986/fondements-et-methodes-de-la/. Acesso em: 6 jul. 2024.

CHEVALLARD, Yves. La transposition didactique. Du savoir savant au savoir enseigné. Grenoble: La pensée Saugave, 1991. Disponível em: https://www.persee.fr/doc/rfp_0556-7807_1986_num_76_1_2401_t1_0089_0000_1. Acesso em: 6 jul. 2024.

CHEVALLARD, Yves. Organiser l'étude. Cours 3 - Ecologie & Regulation. Actes de la XIième Ecole d'été de didactique des mathématiques. Grenoble, La Pensée Sauvage, p. 41-56. 2002. Disponível em: http://yves.chevallard.free.fr/spip/spip/IMG/pdf/Organiser_l_etude_3.pdf. Acesso em: 7 jul. 2024.

Publicado

2024-12-11

Edição

Seção

Resumo Expandido – Pôster - XVIII SESEMAT - 2024