EPISTEMOLOGIAS DO SUL E JUSTIÇA COGNITIVA: AS TDIC NA EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA

Autores

  • Luís Felipe Cristaldo Gonçalo Universidade Católica Dom Bosco
  • Adir Casaro Nascimento Universidade Católica Dom Bosco

DOI:

https://doi.org/10.55028/1h7nny03

Resumo

O presente artigo analisa os impactos da exclusão digital na educação escolar indígena, utilizando a pandemia de COVID-19 como um catalisador das desigualdades históricas e estruturais. O estudo foca na Escola Municipal Indígena Polo Feliciano Pio, localizada na Aldeia Ipegue, Terra Indígena (TI) Taunay/Ipegue, em Aquidauana-MS, e fundamenta-se nas perspectivas pós-críticas e decoloniais. Caracterizado como um ensaio teórico-reflexivo e documental, o trabalho adota uma postura epistemológica fronteiriça, revisitando dados empíricos oriundos da dissertação de mestrado do autor. Os resultados evidenciam que a ausência de infraestrutura tecnológica transcende a dimensão financeira, configurando-se como um reflexo da colonialidade do poder que marginaliza as comunidades tradicionais. A pesquisa destaca a sobrecarga docente, os severos impactos na saúde mental devido ao luto comunitário e a limitação do aprendizado remoto ao modelo de "reprodução", em detrimento da "produção" crítica de saberes. A flexibilização avaliativa adotada pela escola demonstrou-se como um ato de resistência e busca por justiça cognitiva. Conclui-se que a superação da exclusão digital exige políticas públicas contínuas que integrem as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) de forma intercultural, fortalecendo o lócus de enunciação fronteiriço sem promover a homogeneização eurocêntrica.

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Publicado

2026-09-10