CORPO, ESCREVIVÊNCIA E DISSIDÊNCIA: Estratégias de Controle e Táticas de Resistências no Cotidiano Educativo

Autores

  • Diego Diego Pereira da Silva Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

DOI:

https://doi.org/10.55028/ecdprb05

Resumo

Nos últimos dez anos no cenário brasileiro, delineou-se uma ofensiva discursiva obstinada em capturar as corporalidades e impor normas de conduta balizadas pelo determinismo anatómico. Essa maquinaria de poder, capilarizada em ecossistemas digitais, arenas parlamentares e no quotidiano escolar, opera por meio da invisibilização e patologização de existências dissidentes que fraturam o binarismo hegemónico. Este artigo empenha-se em analisar as categorias de corpo, identidade e género sob uma perspetiva pós-estruturalista, perscrutando os enquadramentos regulatórios que intentam domesticar tais sujeitos. Ao inscrever-me na tessitura da investigação enquanto a própria carne dissidente em análise, assumo a autoetnografia e a escrevivência como recusas políticas à assunção de uma neutralidade positivista estéril. Metodologicamente, o manuscrito ancora-se na configuração textual de Mortatti (1999), estabelecendo um tensionamento crítico com as formulações de Michel de Certeau (1989) acerca das estratégias institucionais de controlo e das táticas quotidianas de insubmissão, em interlocução com as pedagogias culturais do corpo de Guacira Lopes Louro (2004). O percurso analítico indicia que, embora as estruturas busquem edificar espaços de docilização e aprisionamento, o chão da escola pulsa como um território poroso, onde as astúcias microfísicas das margens operam desvios e asseguram a reinvenção da vida.

Biografia do Autor

  • Diego Diego Pereira da Silva , Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

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Publicado

2026-09-10