Entre Abelardos e Manoéis

ditadura, exploração e censura em “O rei da vela”, de Oswald de Andrade

  • Marcio Luiz Carreri Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)
  • Francislaine Aparecida Carvalho Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)
Palavras-chave: O rei da vela, teatro, censura, ditadura

Resumo

Escrita em 1933, a obra O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, ganha os palcos três décadas depois, através do Teatro Oficina e serve de plano de fundo para demonstrar elementos e práticas comuns na sociedade brasileira ao longo da história. Por meio da apresentação e análise de elementos de criação da obra dialogando com o contexto de repressão e discursos autoritários em que foi encenada a peça, apresenta-se o cenário antidemocrático e nefasto de censura e exploração existente no período da ditadura civil-militar instituída a partir do golpe de 1964, em especial, no ambiente cultural e artístico. Assim, pretende-se compreender o contexto e imaginário da sociedade da época, permeado valores morais que serviram de incentivo para a “aceitação” das atrocidades cometidas pelos governos militares sob o pretexto de manutenção de instituições “sagradas” e de preservação do país diante da ameaça comunista.

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Biografia do Autor

Marcio Luiz Carreri, Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)
Doutor em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, professor da Universidade Estadual do Norte do Paraná. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2681050167644343.
Francislaine Aparecida Carvalho, Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)
Graduada em Letras/Literatura e em História pela Universidade Estadual do Norte do Paraná. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9373692399154813.  

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Publicado
2016-06-30
Como Citar
CARRERI, M. L.; CARVALHO, F. A. Entre Abelardos e Manoéis. albuquerque: revista de história, v. 8, n. 15, p. 174-189, 30 jun. 2016.
Seção
Dossiê: História Política