“Poemas ao sabor de história”
resistência pós-colonial nos versos de Valtevir Andrade Nunes e José Orlando de Oliveira
DOI:
https://doi.org/10.55028/92aga887Palavras-chave:
Pós-colonialismo;, Amazônia;, resistência;, Análise de Conteúdo;, Poesia.Resumo
O presente artigo analisa os poemas “A modernidade na Amazônia”, de Valtevir Andrade Nunes, e “História Esquecida”, de José Orlando de Oliveira, a partir dos referenciais do pensamento pós-colonial e do giro decolonial, buscando compreender de que maneira o discurso poético reflete e resiste às narrativas hegemônicas da modernidade na Amazônia. Utilizando como metodologia a Análise de Conteúdo de Bardin, a pesquisa identifica categorias temáticas centrais como violência epistêmica, subalternidade dos trabalhadores, apagamento de memórias e resistência cultural, evidenciando as tensões entre progresso e sofrimento humano durante a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Os resultados demonstram que, ao revisitar esse episódio histórico, os poetas transformam a literatura em campo de disputa simbólica, onde o eu-lírico atua como agente de descolonização do imaginário coletivo. A leitura das obras revela que a poesia amazônica contemporânea cumpre papel fundamental na reconstrução contra-hegemônica do passado, questionando o mito da modernização civilizatória e denunciando o caráter sacrificial do desenvolvimento capitalista na região. Conclui-se que a expressão poética de Andrade e Orlando constitui um gesto de resistência epistêmica e política, que devolve humanidade às vozes silenciadas e reafirma a literatura como instrumento de justiça cognitiva e desobediência simbólica frente à colonialidade persistente.
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