Comunidade Ilha do Bananal: auto-organização da população em situação de rua na cidade de Cuiabá-MT.

  • Eliete Borges Lopes Secretaria de Estado da Educação de Mato Grosso

Abstract

Meu lugar de pertencimento na pesquisa junto da população em situação de rua é um lugar que está no coletivo, não é meu, é deles. E nesse lugar onde pesquisa e vida não se separam o esforço é o de compreender, por exemplo, como se constitui uma ética da rua. Como se constituem as comunidades com traços particulares de bando e nomadismo. Junto dessa população percebemos, por exemplo, o aprofundamento dos laços sociais que criam pertencimentos e afetos e que revela uma população ativista e rebelde, que em face do abandono, tem como estratégia de defesa e de luta, o 'bando' que somado à afetividade, trazem à tona comunidades nascentes, comunidades em Devir. Estas comunidades mobilizam espaços, temporalidades, fatos e artefatos sociais e da cultura, de maneira a subverter o desejo de pólis e consagrar-se ao desejo de Plaza (praça). O desejo de plaza é o desejo de rua, aquele que se constitui na “inexpropriação”. O que é irredutível a essa população, o que lhes é inexpugnável, é justamente não apenas a contingência da rua, mas o seu desejo, tanto a amparo como a r-existência. Essa ambiguidade, e não apenas essa, forja em grande medida o sentido da comunidade que vem, essas potências ensaiam as condições de possibilidade de uma política da rua, de uma vida comum, no sentido de uma vida compartilhada, isto é o mesmo que a utopia de uma comunidade nascente e de uma comunidade que ainda está vindo.

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Author Biography

Eliete Borges Lopes, Secretaria de Estado da Educação de Mato Grosso
Doutora em Educação pela UFMT.

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Published
2017-05-29
How to Cite
LOPES, E. B. Comunidade Ilha do Bananal: auto-organização da população em situação de rua na cidade de Cuiabá-MT. albuquerque: journal of history, v. 8, n. 16, 29 May 2017.
Section
Dossiê: História & Linguagens