Plantas Alimentícias Não Convencionais no Recôncavo da Bahia
biodiversidade e percepções dos moradores
DOI:
https://doi.org/10.46401/arec.2025.v17.23042Palabras clave:
segurança alimentar, biodiversidade, agricultura familiar, PANCsResumen
Apesar da megadiversidade, a maioria das espécies nativas brasileiras é pouco consumidas, em detrimento da considerável homogeneização da alimentação. Neste estudo, busca-se averiguar o conhecimento dos moradores de uma comunidade do Recôncavo Baiano sobre PANCs endêmicas, bem como observar suas formas de utilização, analisar o uso culinário e verificar o seu uso como alternativa para a segurança alimentar. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista aos moradores da Comunidade de Gravatá, aplicando um formulário semiestruturado composto por 10 questões objetivas e discursivas. Foram apresentadas algumas espécies de PANCs, como pepino chinês (Melothria pendula L) a ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata Mill), partes da bananeira (Musa paradisiaca L), a beldroega (Portulaca oleracea) e o coentro da índia (Melothria pendula L). Levantaram-se questões sobre as partes das PANCs utilizadas na alimentação e as suas formas de preparo. É possível inferir que apenas 15% dos entrevistados têm conhecimento sobre PANCs e as usam na culinária. No entanto, 85% dos moradores não estão cientes do termo PANCs, o que evidencia a falta de estudos sobre essas plantas, e a divulgação de informações para as famílias. Observa-se que a falta de inclusão das PANCs na alimentação dificulta a diferenciação entre espécies nativas, exóticas e não comestíveis, levando à subvalorização das PANCs como "ervas daninhas". Entanto, essas plantas desempenham papéis importantes na biodiversidade, cultura e economia locais, além do potencial nutricional. Portanto, são necessárias mais abordagens para conservação, uso e manejo sustentável das PANCs para a promoção de uma economia solidária reduzindo a insegurança alimentar.
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