Depois de todas as temáticas abordadas — 1º volume: Estudos culturais (abril de 2009); 2º volume: Literatura comparada hoje (setembro de 2009); 3º volume: Crítica contemporânea (abril de 2010); 4º volume: Crítica biográfica (setembro de 2010); 5º volume: Subalternidade (abril de 2011); 6º volume: Cultura local (dezembro de 2011); 7º volume: Fronteiras culturais (abril de 2012); 8º volume: Eixos periféricos (dezembro de 2012); 9º volume: Pós-colonialidade (abril de 2013); 10º volume: Memória cultural (dezembro de 2013); 11º volume: Silviano Santiago: uma homenagem (abril de 2014); 12º volume: Eneida Maria de Souza: uma homenagem (dezembro de 2014); 13º volume: Povos indígenas (abril de 2015); 14º volume: Brasil\Paraguai\Bolívia (dezembro de 2015); 15º volume: Ocidente/Oriente: migrações; 16º volume: Estéticas periféricas (abril de 2016); 17º volume: Cultura urbana; volume 18º: Tendências teóricas do século XXI; volume 19º: Tendências artísticas do século XXI; 20º: Exterioridade dos Saberes: NECC 10 ANOS; 21º: Pedagogias descoloniais — os CADERNOS DE ESTUDOS CULTURAIS voltam-se para CORPOS EPISTÊMICOS, por entender que a questão do corpo, tanto material quanto epistemológico, nunca esteve tão em evidência como neste início do século XXI. Talvez tal presença, até exacerbada, se de pelo fato de a condição do corpo humano em si estar em uma condição um tanto quanto desconfortável, em todos os sentidos: seja pela presença exagerada na mídia de um modo geral; seja pela condição de “refugiamento” na qual muitos povos e seres humanos estão passando para sobreviver. Nessa travessia  sem rumo  na  qual  o  corpo  fora  lançado,  muitos  corpos  se perdem e desaparecem do mapa atual das culturas. Pode-se dizer, inclusive, que os corpos estão em permanente condição de fronteira, ou no mínimo numa condição desconfortável, que se situa entre o bem-estar e a rebelião, a alegria e a dor, o conforto e o desconforto, a razão e a desrazão, o preconceito e o não-preconceito, o estado e as crenças etc. Não por acaso, chegam às livrarias, e a cada dia mais, uma infinidade de livros sobre o corpo, e em todos os sentidos, inclusive no sentido epistemológico de expor os corpos humanos na praça pública do mercado clandestino do consumo e da mídia. Considerando as temáticas já  publicadas pelos CADERNOS anteriores, entendeu-se que a temática de CORPOS EPISTÊMICOS viria coroar o lado de uma epistemologia descolonial que tem atravessado todas as discussões propostas pelo periódico nestes últimos 10 anos. Deter-se agora nessa temática é, de alguma forma, fazer uma “mea culpa” com relação às demais temáticas abordadas e lembrar que a presença de um corpo outro já se fazia presente nelas, mesmo quando o corpo não esteve em evidência, como agora está neste volume que promete trazer uma discussão de base sobretudo epistemológica sobre o corpo de um modo geral. Cabe-me a feliz tarefa de agradecer a todos os autores que aceitaram participar deste volume, enriquecendo-o com seu ensaio. Agradeço ao também editor Marcos Antônio Bessa-Oliveira que não tem medido esforços para que os CADERNOS venham a público, bem como a todos da COMISSÃO ORGANIZADORA e MEMBROS do NECC. Gratidão traduz o que todos os neccenses sentimos pelos ilustres pesquisadores deste volume, sem os quais a temática proposta não seria possível para a realização deste número que entra para a história da crítica cultural quando o assunto for CORPOS EPISTÊMICOS.

Edgar Cézar Nolasco

Publicado: 2020-02-12

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