A dívida impagável
uma crítica feminista, racial e anticolonial do capitalismo
DOI:
https://doi.org/10.46401/arec.2025.v17.24266Palavras-chave:
feminismo negro , crítica anticolonial, epistemologia negra , capitalismo , colonialidade , racialidadeResumo
Em A Dívida Impagável, Denise Ferreira da Silva apresenta uma crítica ao capitalismo moderno, articulando uma perspectiva feminista, racial e anticolonial. A autora desmonta a lógica da modernidade ocidental, revelando como a racialidade é um elemento estrutural e permanente do sistema capitalista, não uma exceção ou acidente histórico. A obra é composta por quatro ensaios que expõem a violência epistemológica da modernidade, criticando seus princípios fundamentais (separabilidade, determinabilidade e sequencialidade) que sustentam práticas de dominação racial, como a escravidão e o colonialismo. Denise utiliza o conceito do “corpo cativo ferido” para ilustrar a condição paradoxal dos corpos racializados, que são tratados simultaneamente como mercadorias e seres humanos. Inspirada pela narrativa do romance Kindred, de Octavia Butler, a autora explica a ideia da dívida impagável como uma obrigação histórica e ética que recai sobre as gerações atuais, mesmo que não tenham criado essa dívida. Essa dívida é impossível de ser quitada dentro dos parâmetros da justiça moderna, que se baseia em categorias de valor e propriedade incompatíveis com a experiência negra. Além da crítica filosófica, Denise Ferreira da Silva propõe a poética negra feminista como método para imaginar outras formas de existência e justiça que rompam com a lógica da apropriação e do capital. Sua obra é uma leitura essencial para compreender as interseções entre capitalismo, racismo e colonialidade.
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