PARA PENSAR COMO BOURDIEU: COMPLETANDO A ‘REVOLUÇÃO MENTAL’ COM A TEORIA DOS CÓDIGOS DE LEGITIMAÇÃO

  • Karl Maton

Resumo

Pierre Bourdieu defendeu que a tarefa essencial das ciências sociais é produzir um “novo olhar” que se move além da nossa experiência sensorial cotidiana para compreender os princípios relacionais subjacentes ao mundo empírico. Neste texto, argumento que, embora Bourdieu enfatize a necessidade dessa transformação, a teoria dos campos não incorpora plenamente o pensamento relacional. A estrutura conceitual representa uma “revolução mental” inacabada
que requer um desenvolvimento para atingir os objetivos de Bourdieu. Para tanto, eu vou “além da teoria dos campos que conhecemos” pela Teoria dos Códigos de Legitimação (LCT), um quadro teórico que revela os princípios organizadores – códigos de legitimação – subjacentes a campos, capitais, habitus e práticas. Ilustro brevemente como a LCT pode ajudar a concretizar a visão de Bourdieu ao discutir um estudo com estudantes chineses em uma universidade australiana. Essa análise identifica um “conflito de códigos” entre os habitus dos estudantes e os atributos valorizados pelos professores universitários, o que explica tanto as experiências negativas dos alunos quanto o efeito de “histerese do habitus” – das estratégias contínuas que não combinam com as “regras do jogo”. De maneira crucial, a análise revela os princípios organizadores subjacentes às disposições, posições e práticas para alcançar uma explicação relacional profunda. Este exemplo, portanto, destaca como a LCT pode cumprir a promessa do pensamento de Bourdieu através de conceitos que incorporam a revolução mental, permitindo seu olhar relacional.

Publicado
2019-08-22