AS REPRESENTAÇÕES SOBRE A ESCOLA COMO PROPULSORAS DE CRISES IDENTITÁRIAS EM LICENCIANDOS EM QUÍMICA: UMA ANÁLISE SOB A ÓTICA DE CLAUDE DUBAR

  • Camila Lima Miranda
  • Vera Maria Nigro de Souza Placco
  • Daisy de Brito Rezende

Resumo

Neste artigo, relata-se uma investigação sobre a constituição identitária, na perspectiva de Claude Dubar, de licenciandos em Química. Os dados foram interpretados por meio do diálogo entre duas teorias: a das representações sociais, na perspectiva de Serge Moscovici, e a da identidade profissional de Claude Dubar. A representação social sobre a escola se configurou
como fonte de crises identitárias para esses jovens: a dificuldade em acompanhar os demais estudantes, ao migrar para uma escola privada; a reprovação no exame vestibular e a dificuldade em acompanhar o curso após sua aprovação no referido exame fizeram com que sentimentos como
valorização e reconhecimento que os acompanharam durante sua escolarização, fundamentais para a construção identitária, fossem questionados, abalando a confiança na escola e em si. As crises se manifestaram pela quebra de expectativas dos sujeitos, pela modificação de referências no âmbito das quais suas identidades se desenvolveram. Embora essas crises tenham se manifestado
nos estudantes, estes ainda assim, conseguiram vislumbrar a docência enquanto possibilidade profissional, o que denota uma ressignificação das representações que deflagraram as crises. Os estudantes passaram a representar o espaço escolar para além dos conhecimentos escolares tradicionais, em uma compreensão um pouco mais ampla da escola.

Publicado
2019-09-03