Processos civilizadores nas redes sociais e a gordofobia

Resumo

O presente trabalho acompanha como a trama da atual figuração caminha para aumentar o autocontrole nas redes sociais especificamente contra expressões de preconceito sobre pessoas obesas. Um dos objetivos do estudo é descrever brevemente a condição de obesidade, que suscita fortes pressões contrárias de motivações biomédicas e ético-morais que também servem de justificativa para o preconceito denominado de gordofobia. Busca-se caracterizar a gordofobia, assim como a crescente punição dada nas redes sociais a atos preconceituosos como na cultura de cancelamento e descrever as políticas das redes sociais como manuais de conduta para seus usuários, nos quais proíbe humilhações e rebaixamento de indivíduos/grupos por suas características de minorias. A pesquisa procedeu-se com levantamento bibliográfico sobre a condição de obesidade e gordofobia, posteriormente caracterizou-se a cultura de cancelamento como forma de punição do usuário e as regras das redes sociais Facebook, Youtube e Twitter sobre limites para a expressão como um manual de conduta. É utilizado o referencial de Norbert Elias para interpretar os manuais das plataformas digitais como processos civilizadores. Obteve-se que embora as referidas redes não façam menção à gordofobia, o movimento de maior conscientização e empatia sobre a obesidade, aliado a consequências econômicas e sociais para ações preconceituosas, indica que pode haver inclusão nos regulamentos, resultando em maior pressão sobre o autocontrole de expressões gordofóbicas.

Biografia do Autor

Carolina dos Santos Jesuino da Natividade, Universidade Estadual de Maringá - UEM

Mestre em psicologia pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Professora da Fundação Educacional Jandaia do Sul (FAFIJAN).

Célio Juvenal Costa, Universidade Estadual de Maringá - UEM

Doutor em educação pela Universidade Metodista de Piracicaba e professor na Universidade Estadual de Maringá- UEM.

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Publicado
2021-06-30