Infância indígena e direito educacional diferenciado: avanços e limites em Mato Grosso do Sul
DOI:
https://doi.org/10.55028/77h1nm52Resumo
Este artigo objetiva promover reflexão acerca das políticas educacionais destinadas às crianças indígenas na Educação Infantil, no Estado de Mato Grosso do Sul. A pesquisa está ancorada na perspectiva teórica gramsciana, compreendendo o Estado como espaço de disputas e mediações na formulação e implementação das políticas públicas educacionais. Metodologicamente, trata-se de um estudo fundamentado na análise documental de normativas que regulamentam a educação escolar indígena no estado, a saber: Decreto nº 10.734/2002; Deliberação CEE/MS nº 6.767/2002; Plano Estadual de Educação (PEE 2014–2024); Resoluções SED nº 2.960 e nº 2.961/2015; Deliberação CEE/MS nº 10.647/2015; e Resolução SED nº 3.005/2016. A coleta de dados foi realizada por meio de levantamento em sítios governamentais oficiais e pesquisa bibliográfica. Inicialmente, o texto discute o papel do Estado na condução das políticas educacionais. Em seguida, apresenta aspectos históricos da educação escolar indígena, com ênfase nas especificidades da Educação Infantil. Posteriormente, analisa-se o conjunto de políticas educacionais que incidem sobre a Educação Infantil indígena em Mato Grosso do Sul, problematizando-se, a partir das produções acadêmicas, os modos de implementação dessas políticas nos contextos das comunidades indígenas. Os resultados indicam que as normativas reconhecem a Educação Infantil indígena como direito específico e diferenciado, pautado na interculturalidade, na consulta comunitária e na valorização dos saberes e das línguas indígenas. Contudo, a produção acadêmica analisada evidencia limites na efetivação dessas políticas, sobretudo quanto à implementação da Educação Infantil, às condições estruturais e à formação docente, além da escassez de estudos sistemáticos sobre a educação infantil indígena no estado.
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