Ensino, aprendizagem e incivilidade na escola: uma leitura possível do papel do professor e da disciplina a partir da psicologia histórico-cultural
Resumo
Este artigo tem, por objetivo, apresentar uma reflexão crítica em relação ao aumento dos fenômenos da violência e indisciplina na escola e suas implicações sobre os processos de ensino e aprendizagem. Nele buscamos recolocar, no centro do debate, qual seja o real papel e função do ensino escolar e de seus principais mediadores, os professores e demais profissionais do ensino. Nossa hipótese, baseada na teoria de Agnes Heller sobre as esferas cotidianas e nãocotidianas das atividades humanas, e nos postulados da perspectiva histórico cultural de Lev S. Vigotski (e cols.) sobre as características próprias à aprendizagem humana, é a de que a escola contemporânea e seus atores sociais têm sido não apenas atingidos por fenômenos psicossociais extrínsecos ao seu papel e função históricos, como também cedido ao desiderativo hegemônico de que a escola deva adequarse ao cotidiano extraescolar, o
que supostamente concorreria à solução da problemática. Com base nos autores mencionados e suas pesquisas, defendemos que isso descaracteriza e contribui para a desestabilização e agravamento das questões disciplinares minimamente necessárias para que a instituição escolar mantenha suas atribuições e atinja seus objetivos histórico sociais, que são, eminen temente, não-cotidianos.
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