TECNOLOGIA E EMPOBRECIMENTO DA EXPERIÊNCIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
DOI:
https://doi.org/10.55028/y8w51b28Palavras-chave:
Educação Infantil, experiência, tecnologias digitais, formação da criança, experiências reflexivasResumo
Analisa-se, aqui, a possibilidade de realização de experiências na Educação Infantil, conforme orientação da “BNCC Computação”, mediante o uso das tecnologias digitais para a educação. As inovações tecnológicas têm obtido destaque nas políticas educacionais, em cursos de educação a distância, cursos de formação continuada oferecidos em plataformas digitais e pela implementação de recursos digitais nas escolas. As discussões acerca da Educação Infantil, oscilam entre a defesa das tecnologias digitais nas escolas para o uso das crianças e, contrariamente, a rejeição às telas, porque atrapalham o desenvolvimento psíquico da criança. Essa contradição é aqui analisada considerado o caráter ambíguo do conceito, a atrofia da experiência e o empobrecimento da linguagem, como características fundamentais da sociedade administrada. Se o desenvolvimento pleno apoia-se na experiência reflexiva, entendida como a atividade humana resultante da reflexão e ação deliberada do indivíduo, adquirida, desde a primeira infância, quando passam a ser desenvolvidas as complexas relações entre pensamento e linguagem, o uso das tecnologias digitais pode dificultar ou impedir a realização de experiências formativas e reflexivas, bem como promover a obstrução da criatividade, em decorrência da estereotipia dos jogos e plataformas digitais apresentados às crianças.
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