EDUCAÇÃO PRISIONAL ENTRE O CONTROLE E A EMANCIPAÇÃO
Uma análise pós-crítica à luz de Michel Foucault
DOI:
https://doi.org/10.55028/wcncws66Palavras-chave:
Educação Prisional; Foucault; Poder; Subjetivação; Disciplinamento.Resumo
Este artigo propõe uma análise da educação prisional à luz da teoria pós-crítica, com base nos aportes de Michel Foucault. Partindo da concepção de poder como relação e da noção de dispositivo disciplinar, examina-se como a escola no cárcere funciona como instrumento de normatização de condutas e produção de sujeitos. Ao mesmo tempo, reconhece-se que a educação, mesmo em contextos de privação de liberdade, pode abrir brechas para processos de subjetivação e resistência. A partir de uma leitura foucaultiana, são discutidos conceitos como sociedade disciplinar, panoptismo, capilaridade do poder e pedagogia da docilidade, articulando-os a marcadores sociais da diferença como raça, classe e território. Conclui-se que a educação prisional deve ser compreendida como um campo de disputa, onde se entrecruzam práticas de controle e possibilidades de agenciamento.
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