A preservação da cultura quilombola intra e intergeracional

Resumo

Analisou-se a preservação da cultura na comunidade tradicional quilombola Araçatiba, originária de uma antiga fazenda do século XVII, no município de Viana, Região Metropolitana de Vitória / ES, a partir da percepção da mulher quilombola sobre a transmissão intra e intergeracional, nos processos sociais da educação familiar informal e da cultura quilombola. Inspirou-se em Norbert Elias, nos conceitos de relação entre indivíduo e sociedade, relações de poder, figuração/configuração, identidade, afetos e processos sociais de longa duração: educação e cultura. E dada à natureza e ao contexto do objeto investigado – cultura quilombola –, agregou-se na fundamentação teórica conceitos de cultura, identidade e educação, em uma perspectiva epistemológica negra, por esta conceber a metodologia decolonial/descolonial que discute: racismo, formação de quilombos no Brasil, comunidades quilombolas na atualidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e outros. Pesquisa qualitativa, bibliográfica, documental e empírica com entrevista de campo com 10 mulheres: cinco entre 19 e 38 anos, e cinco entre 53 e 85 anos, cujo acesso às participantes ocorreu por meio de liderança local. Almejava-se entrevistar 10 mulheres acima de 45 anos, entretanto, este quantitativo não foi encontrado. Os dados foram analisados a partir da técnica Análise de Conteúdo. A vivência dessas mulheres em sua organização social, política e territorial é legado na transmissão intra e intergeracionais. Conclui-se que as vivências, participações e contribuições para a resistência cultural e territorial do povo quilombola se presentificam nas narrativas do cotidiano dessas mulheres, protagonistas em sua comunidade.

Biografia do Autor

Rúbia Mara Ferreira de Alvarenga, Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória – EMESCAM

Mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local e Assistente Social pela Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória – EMESCAM. Graduanda em História pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Angela Maria Caulyt Santos da Silva, Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória – EMESCAM

Doutora e Mestre em Educação, Especialista em Políticas e Práticas Sociais em Saúde e Assistente Social pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Especialista em Terapia Familiar pela Crescent. Professora Adjunta do Mestrado em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local da Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória – EMESCAM.

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Publicado
2021-06-30