Entre permanências e evasões: percepção de graduandas sobre gênero e raça nos cursos de tecnologia do IFPR
DOI:
https://doi.org/10.55028/k8ffk504Resumo
As mulheres representam menos de 40% das matrículas nos cursos de Tecnologia da Rede Federal, evidenciando a persistência de estruturas de gênero que afastam mulheres dessas áreas desde a socialização na infância. O estudo analisa a trajetória de mulheres graduandas em cursos de Tecnologia do Instituto Federal do Paraná, com foco na percepção delas sobre os fatores que influenciam a permanência e a evasão. A pesquisa tem abordagem qualitativa e tem apoio na epistemologia feminista. Tem como lócus de pesquisa quatro campi do referido instituto: Colombo, Curitiba, Pinhais e Paranaguá. Os instrumentos utilizados foram questionário online, respondido por 51 estudantes matriculadas e seis em situação de evasão, e entrevista semiestruturada, realizada com 12 graduandas. Os dados foram analisados por meio de análise de conteúdo e o software IRaMuTeQ foi utilizado para análise das respostas abertas do questionário. Os resultados indicam que as graduandas resistem às dificuldades do percurso acadêmico movidas pela busca do conhecimento e pela expectativa de ascensão profissional e econômica. A relação com o corpo docente aparece como fator de pertencimento e de permanência. Entretanto, persistem desafios relacionados às desigualdades de gênero, manifestadas em formas veladas de invisibilização no espaço acadêmico. A interseccionalidade de gênero, raça e faixa etária aparece como um adicional de exclusão, com episódios de racismo estrutural sem resposta institucional adequada. Conclui-se por observar a importância de políticas institucionais de permanência que contemplem as especificidades de gênero, raça e etarismo.
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