A desconstrução do conceito de Família Moderna: uma interlocução entre Ariès e Foucault

  • Ricardo Salztrager Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Palavras-chave: Naturalização. Afetividade. Intimidade. Normalidade.

Resumo

A proposta deste artigo é trabalhar na desconstrução do conceito de família moderna, objetivando demonstrar que três de suas principais bases de apoio – a afetividade necessária, a intimidade saudável e a normalidade dos personagens em jogo – possuem um caráter histórico e contingencial. Para tal, nos voltaremos ao exame das obras de Ariès e Foucault. De Ariès, analisamos os fatores que levaram ao nascimento da ideia de uma necessária afetividade nas famílias, bem como à constituição de um plano de intimidade associado ao lar. De Foucault, destacamos como a lógica disciplinar favoreceu o surgimento das ideias de normalidade e de desvio em relação às famílias. Observamos que as diversas verdades em jogo no conceito de família moderna são construções dos mais diversos discursos presentes na nossa sociedade, não dizendo respeito a tendências naturais ou ligadas a qualquer espécie de essência. Por fim, denunciamos ser pela naturalização destas tendências que, hoje em dia, parecem soar estranhas as diversas transformações que se fazem nos contextos familiares.

Biografia do Autor

Ricardo Salztrager, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

Professor Associado do Programa de Pós Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

Mestre e Doutor pelo Programa de Pós Graduação em Teoria Psicanalítica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Referências

ARIÈS, Philippe. História social da criança e da família. Rio de Janeiro: LTC, 2002.

FIGUEIREDO, Luis Claudio. A invenção do psicológico: quatro séculos de subjetivação. São Paulo: Escuta, 2007.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979.

_______. História da sexualidade I: A vontade de saber. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1988.

_______. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 1996.

_______. A verdade e as formas jurídicas. Rio de Janeiro: Nau Editora, 2013.

RANUN, O. Os refúgios da intimidade. In: ARIÈS, P.; DUBY (Orgs.). História da vida privada vol. 3. 1. ed. São Paulo: Companhia das letras, 2009. p. 211-261.

REVEL, J. Os usos da civilidade. In: ARIÈS, P.; DUBY (Orgs.). História da vida privada vol. 3. 1. ed. São Paulo: Companhia das letras, 2009. p. 169-209.

Publicado
2019-03-15
Seção
Artigos