Mulheres e educação no Brasil imperial: história, memória e sociedade

Resumo

O presente artigo analisa a trajetória da educação feminina no Brasil Imperial, situando-a no contexto histórico, político e social da época. O estudo tem como objetivo compreender as condições que marcaram a inserção das mulheres no ensino formal e as contradições entre avanços legais e limitações sociais. A pesquisa é de abordagem qualitativa, com caráter bibliográfico e histórico-documental, fundamentada na análise de fontes primárias, como a Lei de 1827 e relatórios ministeriais, e secundárias, como obras de Louro (2012, 2013), Saviani (2013), Aranha (2006), Almeida (2000, 2006) e Floresta (1989). A análise revelou que, embora a legislação imperial tenha reconhecido o direito à instrução feminina, a educação destinada às mulheres manteve caráter restritivo, voltado à formação doméstica e moral cristã. O ensino elementar limitava-se à leitura, escrita, aritmética básica e trabalhos manuais, refletindo o ideal patriarcal de preparação para o lar. Entretanto, a atuação de mulheres como Nísia Floresta e a presença feminina, ainda que tímida, em níveis secundário e superior, demonstram processos de resistência e ruptura frente às barreiras impostas. Conclui-se que a educação feminina no Brasil Imperial, apesar de marcada por desigualdades, constituiu-se também como espaço de disputa e transformação social, contribuindo para as bases das lutas por igualdade de gênero e acesso à educação no país. O presente trabalho foi realizado com apoio da Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS/MEC – Brasil.

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Biografia do Autor

Samuel da Silva Souza, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

Doutorando em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campus de Corumbá, Mato Grosso do Sul, Brasil. E-mail: samuel.souza@ufms.br

Lylianne Chaparro Magalhães Souza, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

Mestranda em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campus de Corumbá. Bolsista CAPES. Corumbá, Mato Grosso do Sul, Brasil. E-mail: lylianne.magalhaes@ufms.br

Claúdia Araújo de Lima, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

Doutora em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz. Professora dos Programas de Pós-Graduação em Educação e em Estudos Fronteiriços da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campus de Corumbá, Mato Grosso do Sul, Brasil. E-mail: claudia.araujolima@gmail.com

Referências

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VALADARES, José Ricardo. Educação feminina no Brasil Imperial. Belo Horizonte: UFMG, 1989.

Publicado
2026-01-05
Como Citar
SOUZA, S. DA S.; SOUZA, L. C. M.; LIMA, C. A. DE. Mulheres e educação no Brasil imperial: história, memória e sociedade. Perspectivas em Diálogo: Revista de Educação e Sociedade, v. 13, n. 34, p. 380-392, 5 jan. 2026.
Seção
Artigos de fluxo contínuo