A concepção de autonomia no contexto da reforma da educação: o encontro da psicologia positiva com a cultura corporativa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.55028/pdres.v11i26.19453

Resumo

autonomia é uma questão perene, como princípio, sentido e propósito da educação democrática. Neste trabalho, pretende-se demonstrar que o conceito passa por um processo de ressignificação no contexto da reforma educacional em curso, marcada, sobretudo, pela convergência entre a psicologia positiva e a cultura empresarial. O exame desse contexto e dos pressupostos econômicos, sociais, teóricos e pedagógicos do conceito de autonomia que nele se propaga possibilitam esclarecer seu sentido e significado para além de falso consenso, contribuindo para sua definição programática no âmbito da reforma educacional. Com esse propósito, adota-se como referencial teórico uma perspectiva crítica, destacando-se autores como Bauman, Illouz e Cabañas, Adorno etc. Conclui-se que a atual concepção de autonomia se afasta de sua acepção original, marcada pela tensão dialética entre indivíduo e sociedade, entre adaptação e resistência, com o predomínio da positividade, da cultura unidimensional, esvaziada dos elementos críticos (negativos), reforçando o momento da adaptação social e a manutenção do status quo da burguesia capitalista.

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Biografia do Autor

  • Douglas Tadeu da Silva Facci, Universidade Estadual de Maringá (UEM)

    Doutor em Educação pela Universidade Estadual de Maringá (UEM).

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Publicado

2024-01-03

Edição

Seção

Artigos de fluxo contínuo

Como Citar

FACCI, Douglas Tadeu da Silva. A concepção de autonomia no contexto da reforma da educação: o encontro da psicologia positiva com a cultura corporativa. Perspectivas em Diálogo: Revista de Educação e Sociedade, [S. l.], v. 11, n. 26, p. 286–304, 2024. DOI: 10.55028/pdres.v11i26.19453. Disponível em: https://periodicos.ufms.br/index.php/persdia/article/view/19453. Acesso em: 30 jan. 2026.