Escola do campo: construção de uma matriz formativa e o trabalho como princípio educativo

Adalberto Penha de Paula, Marina Comerlatto da Rosa

Resumo


Este estudo é um recorte da pesquisa intitulada “Educação do campo: desafios para implementação de uma política educacional das escolas do campo”, realizada no Programa de Pós- Graduação em Educação da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Discute-se a escola do campo, a política educacional de educação do campo no Estado do Paraná e o trabalho como matriz formativa. A metodologia é de natureza exploratória com levantamento bibliográfico e documental, foram analisadas as Diretrizes Curriculares da Educação do Campo do Estado do Paraná (2010), a fim de identificar a categoria trabalho na proposição da ação docente nas escolas do campo, fundamenta-se em Moura; Lima Filho; Silva (2015), Saviani (2007), Frigotto (2007), Enguita (1989).  As conclusões apontam a importância do trabalho como princípio educativo na organização escolar, uma escola do campo que se constitui em seu conteúdo e forma de modo contra hegemônico, contribuindo para romper com as práticas pedagógicas da escola burguesa. Ao optar pela categoria trabalho na organização pedagógica e escolar, a escola toma uma posição contra hegemônica, política e pedagogicamente oposta as imposições dos padrões escolares fundamentados nos princípios da lógica capitalista. No caso da escola do campo é construir uma escola com práticas emancipatórias, de superação ao projeto de campo do latifúndio e do agronegócio, contribuindo com outros setores da sociedade no enfrentamento do capital. Para tal é necessário a participação da sociedade civil na luta pela efetivação e garantia de políticas educacionais de educação do campo, que atendam as demandas da realidade das escolas do campo.

Palavras-chave


Educação do campo. Política educacional. Organização escolar.

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