CONTRIBUIÇÕES TEÓRICOMETODOLÓGICAS PARA O ESTUDO SOBRE O DISCURSO DOS MENINOS INTERNOS EM INSTITUIÇÃO PRISIONAL
Resumo
Nós, pesquisadores em educação, aprendemos a tomar algumas decisões, a fazer planejamentos com objetivos claros, a realizar pesquisas com a definição do objeto de estudo e nos cobram isso na academia e na vida profissional. Pouco se nos é alertado sobre a possibilidade de não sabermos explicitar o que não é coerente, o que nega, o que impede, o que determina os contrários. Pouca análise da outra face da mesma moeda – o sim e o não; o que é e o que não é. Difícil pensar dialeticamente, pois parece que aprendemos a ser afirmativos sem negar. A negação, no sentido marxista, não é apenas um ato mental de dizer não, mas como momento dialético das possibilidades do vir a ser. A inclusão dos adolescentes em uma instituição prisional violenta é ao mesmo tempo exclusão de uma possibilidade de educação e formação humanas. A colocação de crianças e jovens em salas de aula chamadas de comuns, muitas vezes é a inclusão delas em um espaço que as exclui do processo de aprendizado e, portanto, de desenvolvimento. A inclusão das crianças nas ruas é causa e conseqüência da inclusão da violência em suas vidas e conseqüente exclusão da escola e da dignidade. Penso ser esse raciocínio fundamental na formação dos pesquisadores e trabalhadores da educação, bem como me parece constituir um marco teórico-metodológico promissor para a análise dos discursos de adolescentes internos na Fundação do Bem Estar do Menor (Febem), procurando captar o que revelam e o que ocultam nas cartas que escreveram para suas mães, amigos e namoradas. A pesquisa revelou que o discurso
não é transparente: exige, como quer Mikhail Bakthin, uma análise do território social onde acontece, refletindo e refratando a realidade em transformação, ou seja, trata-se de pesquisar as palavras na trama das relações sociais.
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