Desemparedar a infância: espaços e práticas pedagógicas para o brincar na natureza na Educação Infantil
Resumo
Este artigo analisa de que modo os espaços e as práticas pedagógicas em instituições de Educação Infantil podem favorecer o contato da criança com a natureza, por meio do brincar. Partiu-se de referenciais que evidenciam a importância da biofilia e denunciam o distanciamento crescente entre infância e a natureza (Tiriba, 2018; Louv, 2016). Adotou-se uma abordagem de pesquisa de campo qualitativa, envolvendo observações, registros fotográficos e questionários aplicados a professoras. O material foi interpretado à luz da análise de conteúdo (Bardin, 1977), gerando duas categorias centrais: (1) “Os espaços e a natureza: limitações e/ou possibilidades”, e (2) “Práticas pedagógicas para o contato com a Natureza: desafios e possibilidades no desemparedamento da infância”. Os resultados apontam que embora existam áreas externas seu uso é esporádico e instrumentalizado, bem como as práticas pedagógicas inexistentes ou improvisadas no tange o contato com a natureza. Conclui-se que os espaços e as práticas pedagógicas podem favorecer o contato da criança com a natureza e, consequentemente, superar a cultura do emparedamento, quando são intencionalmente organizados para valorizar o brincar ao ar livre, vinculados a propostas formativas que sensibilizem os docentes, e integrados a ações colaborativas com a comunidade escolar. Nessa perspectiva, reorganizar os espaços, investir em formação continuada e escutar os interesses das crianças são caminhos que podem viabilizar a garantia do direito à vivência plena da natureza.
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Referências
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