Racismo estrutural, memória e emancipação: a Educação de Jovens e Adultos como espaço de transformação e resistência

Autores

DOI:

https://doi.org/10.55028/0sthjc26

Resumo

Este artigo analisa as relações étnico-raciais no contexto da Educação de Jovens e Adultos, compreendida como um espaço historicamente marcado por processos de exclusão social, econômica e racial que atravessam a formação da sociedade brasileira desde o período colonial. A pesquisa, desenvolvida em uma turma da Escola Municipal de Educação de Jovens e Adultos Professor Admardo Serafim de Oliveira, localizada em um abrigo emergencial de Vitória, Espírito Santo, buscou compreender como estudantes em situação de vulnerabilidade constroem suas identidades, memórias e consciência histórica a partir de práticas pedagógicas pautadas pelas relações étnico-raciais. As fontes produzidas por meio das observações de campo, dos questionários socioeconômicos e das narrativas autobiográficas dos estudantes foram interrogadas na perspectiva de Bloch e Ginzburg, para os quais toda pista revela algo sobre os homens e as mulheres em distintas temporalidades. Os resultados evidenciam que as vivências dos sujeitos são fortemente atravessadas pelo racismo estrutural, expresso tanto nas experiências de preconceito, quanto nas dificuldades de inserção social e escolar. As narrativas revelam tensões, contradições e processos de tomada de consciência racial mediados pelo ensino de História e pela escrita de si. Conclui-se que educação nessa modalidade de ensino, quando orientada por práticas educativas críticas e antirracistas, pode se constituir como espaço de resistência, (re)existência e afirmação identitária, contribuindo para a democratização do direito à educação e para o enfrentamento das desigualdades raciais históricas.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Danielle Ribeiro Goulart, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

    Mestre em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Vitória, Espírito Santo, Brasil. E-mail: danir_goulart@yahoo.com.br

  • Brunna Terra Marcelino, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

    Mestre em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Vila Velha, Espírito Santo, Brasil. E-mail: brunnatmm@gmail.com

  • Miriã Lúcia Luiz, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

    Doutora em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), com Pós-Doutorado em História da Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais e pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto/Portugal. Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFES. Vitória, Espírito Santo, Brasil. E-mail: miria.luiz@ufes.br

Referências

ABRAHÃO, Maria Helena Menna Barreto. As narrativas de si ressignificadas pelo emprego do método autobiográfico. In: SOUZA, Elizeu Clementino; ABRAHÃO, Maria Helena Menna Barreto (Org.). Tempos, narrativas e ficções: a invenção de si. Porto Alegre/Salvador: Edipucrs e Eduneb, 2006. p. 149-170.

ARROYO, Miguel. Ofício de mestre: imagens e auto-imagens. Petrópolis: Vozes, 2005.

BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

BRASIL. Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971. Fixa diretrizes e bases para o ensino de 1º e 2º graus, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 12 ago. 1971. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5692.htm%3E Acesso em: 10 jan. 2025.

BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Plano nacional de educação PNE 2014-2024: Linha de Base. Brasília, DF: Inep, 2015. Disponível em: https://download.inep.gov.br/publicacoes/institucionais/plano_nacional_de_educacao/plano_nacional_de_educacao_pne_2014_2024_linha_de_base.pdf Acesso em: 17 mar. 2026.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 1996. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm%3E Acesso em: 10 jan. 2025.

BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 10 jan. 2003. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.639.htm Acesso em: 17 nov. 2025.

CARNEIRO, Sueli. Dispositivo de racialidade: a construção do outro como

não ser como fundamento do ser. Rio de Janeiro: Zahar, 2023.

FONSECA, Thais Nívia de Lima. História & ensino de história. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1967.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1987.

GERMANO, José Willington. O discurso político sobre a educação no Brasil autoritário. Cad. Cedes, Campinas, v. 28, n. 76, p. 313-332, set./dez. 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ccedes/a/vSbZ9BjjFkgpKFtk648jTRB/?lang=pt Acesso em: 17 mar. 2026.

GINZBURG, Carlo. O fio e os rastros: verdadeiro, falso e fictício. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

GOMES, Nilma Lino. Educação, identidade negra e formação de professores. In: GOMES, Nilma Lino (Org.). Educação, identidade negra e formação de professores. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.

GOMES, Nilma Lino. Movimento Negro e Educação: ressignificando e politizando a raça. Educação e Sociedade, Campinas, v. 33, n. 120,p. 727-744, 2012a. Disponível em: https://www.cedes.unicamp.br/periodicos/educacao-sociedade/120-v33-julset-2012-educacao-sociedade Acesso em: 02 nov. 2025.

GOMES, Nilma Lino. Relações Étnico-raciais, educação e descolonização dos currículos. Currículo sem Fronteiras, v.12, n.1, pp. 98-109, Jan/Abr 2012b. Disponível em: https://www.apeoesp.org.br/sistema/ck/files/5_Gomes_N%20L_Rel_etnico_raciais_educ%20e%20descolonizacao%20do%20curriculo.pdf Acesso em: 02 nov. 2025.

GOMES, Nilma Lino. O movimento negro educador: saberes construídos nas lutas por emancipação. Petrópolis: Vozes, 2017.

GUEDES, Walef Pena; SUGAHARA, Cibele Roberta; FERREIRA, Denise Helena Lombardo. Racismo ambiental: reflexões sobre mudanças climáticas e Covid-19. Perspectivas em Diálogo: Revista de Educação e Sociedade, v. 10, n. 23, p. 237–258, 2023.

HOOKS, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. Tradução: Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: Editora Martins Fontes. 2020.

INEP, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Censo Escolar da Educação Básica 2024: resumo técnico. Brasília: MEC/Inep, 2025. Disponível em: https://download.inep.gov.br/publicacoes/institucionais/estatisticas_e_indicadores/resumo_tecnico_censo_escolar_2024.pdf Acesso em: 17 dez. 2025.

LOPES, Leonardo Sousa. Os sentidos da disciplina de história para estudantes da EJA em uma escola na periferia de Belo Horizonte/MG. 2022. 124 p. Dissertação (Mestrado Profissional em Educação) – Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2022.

MUNANGA, Kabengele. (Org.) Superando o racismo na escola. Brasília: MEC, 2005.

RINALDI, Ana Maria Maciel. O ensino de história na educação de jovens e adultos: uma contribuição para a formação da cidadania. 2016. 242 p. Dissertação de Mestrado (Faculdade de Ciências) – Universidade Estadual Paulista. Bauru, SP, 2016.

SANTOS, Ynaê Lopes dos. Racismo brasileiro: uma história da formação do país. 1 ed. São Paulo: Todavia, 2022.

SAVIANI, Dermeval. História das ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2007.

Downloads

Publicado

2026-05-27

Como Citar

GOULART, Danielle Ribeiro; MARCELINO, Brunna Terra; LUIZ, Miriã Lúcia. Racismo estrutural, memória e emancipação: a Educação de Jovens e Adultos como espaço de transformação e resistência. Perspectivas em Diálogo: Revista de Educação e Sociedade, [S. l.], v. 13, n. 35, p. 1–20, e24755, 2026. DOI: 10.55028/0sthjc26. Disponível em: https://periodicos.ufms.br/index.php/persdia/article/view/24755. Acesso em: 30 maio. 2026.