Racismo estrutural, memória e emancipação: a Educação de Jovens e Adultos como espaço de transformação e resistência
DOI:
https://doi.org/10.55028/0sthjc26Resumo
Este artigo analisa as relações étnico-raciais no contexto da Educação de Jovens e Adultos, compreendida como um espaço historicamente marcado por processos de exclusão social, econômica e racial que atravessam a formação da sociedade brasileira desde o período colonial. A pesquisa, desenvolvida em uma turma da Escola Municipal de Educação de Jovens e Adultos Professor Admardo Serafim de Oliveira, localizada em um abrigo emergencial de Vitória, Espírito Santo, buscou compreender como estudantes em situação de vulnerabilidade constroem suas identidades, memórias e consciência histórica a partir de práticas pedagógicas pautadas pelas relações étnico-raciais. As fontes produzidas por meio das observações de campo, dos questionários socioeconômicos e das narrativas autobiográficas dos estudantes foram interrogadas na perspectiva de Bloch e Ginzburg, para os quais toda pista revela algo sobre os homens e as mulheres em distintas temporalidades. Os resultados evidenciam que as vivências dos sujeitos são fortemente atravessadas pelo racismo estrutural, expresso tanto nas experiências de preconceito, quanto nas dificuldades de inserção social e escolar. As narrativas revelam tensões, contradições e processos de tomada de consciência racial mediados pelo ensino de História e pela escrita de si. Conclui-se que educação nessa modalidade de ensino, quando orientada por práticas educativas críticas e antirracistas, pode se constituir como espaço de resistência, (re)existência e afirmação identitária, contribuindo para a democratização do direito à educação e para o enfrentamento das desigualdades raciais históricas.
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