A construção da temporalidade na escola: contribuições da teoria piagetiana para o ensino de História
DOI:
https://doi.org/10.55028/h315vv15Resumo
Este artigo investiga como a experiência escolar, em práticas pedagógicas específicas, contribui para a construção da noção de tempo, compreendida como um processo de articulação entre diferentes temporalidades. Vinculado ao Projeto “Escolas não tradicionais: aprofundando o mapeamento e pesquisa teórica da inovação pedagógica – PROENC”, de abrangência nacional, objetiva analisar como práticas pedagógicas mobilizam operações cognitivas relacionadas à construção da temporalidade. Trata de uma pesquisa qualitativa de inspiração etnográfica, baseada em instrumentos de investigação elaborados coletivamente pela equipe de pesquisadores do projeto. Focaliza práticas como a elaboração de linhas do tempo institucionais, a construção de cápsulas do tempo, o estudo do Marco Zero da cidade, as visitas ao cemitério como fonte histórica e os projetos comemorativos, compreendidas como situações em que a articulação entre passado, presente e futuro organiza a experiência escolar. Os resultados indicam que tais práticas mobilizam operações cognitivas fundamentais, descritas por Jean Piaget, como coordenação de séries, descentração e reversibilidade, ao mesmo tempo em que evidenciam a dimensão social e cultural da construção da temporalidade. Conclui-se que a aprendizagem do tempo histórico não se restringe à incorporação de conteúdos, mas se realiza como um processo de organização da experiência, no qual operações cognitivas e práticas sociais se entrelaçam, configurando a escola como um espaço ativo de produção de temporalidade
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