Educação estética e epistemologia genética: o fazer docente na Pedagogia Waldorf à luz de Piaget
DOI:
https://doi.org/10.55028/wajb8d21Resumo
Este artigo tematiza o "Fazer Docente" nos anos iniciais do Ensino Fundamental sob a ótica da Epistemologia Genética de Piaget, em interface com as práticas da Pedagogia Waldorf. Objetiva-se compreender como as práticas docentes pautadas na Educação Estética atuam na mediação da transição do pensamento intuitivo ao operatório-concreto e no desenvolvimento da autonomia à luz da Epistemologia Genética de Piaget, em uma turma de 1º ano dos anos iniciais de uma escola Waldorf brasileira. Por meio de um estudo de caso qualitativo, analisa-se como a orquestração intencional da Educação Estética na mediação pedagógica promove essa transição e o desenvolvimento processual da autonomia moral. Os resultados evidenciam que: na dimensão cognitiva, o Desenho de Formas e os Gnomos da matemática operam como ponte entre o pensamento intuitivo e o operatório-concreto; na dimensão afetiva, práticas como o cálculo mental em clima de jogo e o concurso do gnomo mais triste mobilizam o interesse que Piaget identifica como condição para o ato inteligível; na dimensão moral, a orquestração do ritmo diário e a construção de hábitos educam a vontade e estruturam a "forma" escolar, fundamentais para a transição da heteronomia à autonomia. O estudo evidencia que o contorno dirigido pela professora não anula a criatividade, mas oferece a ancoragem afetiva e assimilativa necessária para a abstração. A análise permite constatar que o docente Waldorf manifesta, em sua prática pedagógica de forma intencional e articulada, a exigência piagetiana por métodos ativos, integrando o sentir e o fazer como motores indispensáveis para o pensar.
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