Percepção de professores da educação básica sobre o trabalho docente, postural laboral e ergnomia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.55028/6stnyx54

Resumo

As condições atuais de trabalho dos professores da educação básica revelam um cenário complexo, no qual múltiplas demandas físicas, ergonômicas e organizacionais se combinam e impactam na saúde desses profissionais. Nesse contexto, compreender como os docentes percebem a relação dessas demandas é essencial para identificar fatores de risco e delinear ações preventivas. Deste modo, o estudo teve como objetivo descrever as percepções dos professores da educação básica sobre a relação do trabalho docente, postura laboral e ergonomia no trabalho. De caráter descritivo, transversal e abordagem qualitativa, esta pesquisa foi realizada com 10 professores, de ambos os sexos, com idades entre 49 e 66 anos, atuantes em uma escola pública de Bocaiúva-MG. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas, analisadas por meio do método de análise de conteúdo. Os resultados mostraram que as percepções dos professores, embora naturalizadas, sobre posturas inadequadas, permanência prolongada em pé ou sentado, falta de flexibilidade, movimentos repetitivos, deslocamentos diários e o carregamento excessivo de peso são semelhantes as observadas em estudos recentes. Essas condições relatadas favorecem o desenvolvimento de dores musculoesqueléticas, fadiga e desgaste físico, proporcionando limitações durante o trabalho. O estudo sugere investimentos em políticas públicas que proporcionem melhorias ergonômicas no ambiente escolar e ações institucionais voltadas para a promoção da saúde do professor, possibilitando assim, condições dignas para o exercício do “ser professor”.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Alecsandro Queiroz Souto, Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes

    Licenciado em Educação Física pela Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes. 

Referências

ALVES, A. O. H.; FORTUNATO, I.; MEDEIROS, E. A. Desarrollo profesional de los formadores de docentes: calificaciones de las relaciones establecidas con estudiantes de pregrado. Revista Diálogo Educacional, v. 21, n. 68, p. 27-48, 2021. DOI: https://doi.org/10.7213/1981-416X.21.068.DS02.

ALVES, U. A.; SILVA, D. A.; LEITE, B. R.; SILVA, R. Z. R.; SILVA, C. N. N. Proletarização do trabalho docente e o notório saber: desafios e entraves para o resgate da valorização do professor. Educação Profissional e Tecnológica em Revista, v. 4, n. 2, p. 62-79, 2020. DOI: https://doi.org/10.36524/profept.v4i2.535.

ARAÚJO, T. M.; PINHO, P. S.; MASSON, M. L. V. Trabalho e saúde de professoras e professores no Brasil: reflexões sobre trajetórias das investigações, avanços e desafios. Cadernos de Saúde Pública, v. 35, n. 1, p. 1-15. 2019. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311X00087318.

BAKER, R.; COENEN, P.; HOWIE, E.; WILLIAMSON, A.; STRAKER, L. The short term musculoskeletal and cognitive effects of prolonged sitting during office computer work. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 15, n. 8, p. 1-16, 2018. DOI: https://doi.org/10.3390/ijerph15081678.

BARBOSA, A. Mudanças nos planos de carreira do magistério paulista e a desvalorização docente. Educar em Revista, v. 39. n. e87141, p. 1-21, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/1984-0411.87141.

BARDIN, L. Análise de conteúdo: tradução Luís Antero Reto, Augusto Pinheiro. São Paulo: Edições 70, 2016.

BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de atividade física para a população brasileira. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_atividade_fisica_populacao_brasileira.pdf.

BRASIL. Ministério da Saúde. LER e DORT: complicações envolvem incapacidade temporária ou permanente para o trabalho. Brasília, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2023/fevereiro/ler-e-dort-complicacoes-envolvem-incapacidade-temporaria-ou-permanente-para-o-trabalho.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: temas transversais. Brasília: MEC/SEF, 1998. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/pcn/ttransversais.pdf.

BUENO, L. C.; ZAMBOM, L. B. Organização e realização do trabalho docente. Revista Educação em Questão, v. 58, n. 55, p. 1-24, 2020. DOI: https://doi.org/10.21680/1981-1802.2020v58n55ID18822.

CARDOSO, J. H. P.; DAMASCENO, S. O.; CAMARA, D. T.; MIRANDA, F. H. S.; ASSIS, L. C.; SILVA, E. A. L.; KLEBIS, L. O.; MORENO, A. C. R. Análise de encurtamento dos músculos isquiotibiais em adultos jovens de 18 a 25 anos. Colloquium Vitae, v. 8, n. 1, p. 90-96, 2016. DOI: https://doi.org/10.5747/cv.2016.v08.nesp.000270.

CARINI, F.; MAZZOLA, M.; FICI, C.; PALMERI, S.; MESSINA, M.; DAMIANI, P.; TOMASELLO, G. Posture and posturology, anatomical and physiological profiles: overview and current state of art. Acta Vio-Medica: Atenei Parmensis, v. 88, n. 1, p. 11-16, 2017. DOI: https://doi.org/10.23750/abm.v88i1.5309.

CAU-BAREILLE, D. Estratégias de trabalho e dificuldades de professores em fim de carreira. Laboreal, v. 10, n. 1, p.59-78, 2014. DOI: http://dx.doi.org/10.15667/laborealx0114dcb.

CHEN, Y. L.; ZHANG, L. P. Postural variability in sitting: comparing comfortable, habitual, and correct strategies across chairs. Applied Sciences, v. 15, n. 13, p.72-79, 2025. DOI: https://doi.org/10.3390/app15137239.

CONROY, V. M.; MURRAY, B. N.; ALEXOPULOS, Q. T.; MCCREARY, J. Músculos: provas e funções de kendall. 6. ed. Barueru, SP: Manole, 2025.

CORRÊA, J. J. C.; SILVA, J. V. C.; VIEIRA, D. R.; GUIMARÃES, J. C.; SOUZA, E. H. E.; CUNHA, S. D. M. Prevalência de lesões na coluna de docentes da rede pública. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 11, n. 13, p. 1-8, 2019. DOI: https://doi.org/10.25248/reas.e926.2019.

CRUZ, F. T.; ESPINOSA, M. M.; SANTOS, E. C. Factores asociados a síntomas musculoesqueléticos en profesores. Enfermería Global, v. 22, n. 4, p. 341-379, 2023. DOI: https://doi.org/10.6018/eglobal.553891.

CUNHA, S. D. M. As condições de trabalho docente e o processo saúde-doença. 2021. Tese [Doutorado]. Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes. 2021.

CUNHA, S. D. M.; SOBRINHO, J. A. M.; SILVEIRA, A. R.; SAMPAIO, C. A. Adoecimento do professor de educação básica no Brasil. Montes Claros: Unimontes, 2025. DOI: https://doi.org/10.46551/978-65-86467-98-7.

DING, Y.; CAO, Y.; DUFFY, V. G.; ZHANG, X. It is time to have rest: how do break types affect muscular activity and perceived discomfort during prolonged sitting work. Safety and Health at Work, v. 11, n. 2, p. 207-214, 2020. DOI: https://doi.org/10.1016/j.shaw.2020.03.008.

ESTEVE, J. M. Mal-estar docente. São Paulo: Edusc, 1999.

EUGENIO, B.; SOUZAS, R.; DI LAURO, A. Trabalho e adoecimento de professores no interior da Bahia. Lanplage em Revista, v. 3, n. 2, p. 179-194, 2017. DOI: https://doi.org/10.24115/S2446-6220201732325p.179-194.

FERREIRA, P. G. T.; DALMAGRO, S. L. Trabalho e essência social: considerações sobre o trabalho socialmente necessário em Marx e na pedagogia socialista. Revista Linhas, Florianópolis, v. 25, n. 57, p. 286–304, 2024. DOI: https://doi.org/10.5965/1984723825572024286.

GABANI, F. L. MESAS, A. E.; SANTOS, M. C. S.; GONZÁLESZ, A. D.; ANDRADE, S. M. Chronic musculoskeletal pain and occupational aspects among Brazilian teachers. Journal of Occupational Safety and Ergonomics, v. 28, n. 2, p. 1304-1310, 2022. DOI: https://doi.org/10.1080/10803548.2021.1906030.

GIL, A. C.; VERGARA, S. C. Tipo de pesquisa. UFPEL, v. 31, p. 78-83, 2015. Disponível em: https://wp.ufpel.edu.br/ecb/files/2009/09/Tipos-de-Pesquisa.pdf.

GONÇALVES, B. A.; FERREIRA, V. R. M.; SIQUEIRA, F. F. F. S.; FEITOSA, A. L. M. Perfil epidemiológico dos casos de distúrbios osteomusculares na população brasileira no período de 2018 a 2023. Revista de Medicina, v. 103, n. 4, p. 1-9, 2024. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v103i4e-224070.

GREGGI, C.; VISCONTI, V. V.; ALBANESE, M.; GASPERINI, B.; CHIAVOGHILEFU, A.; PREZIOSO, C.; PERSECHINO, B.; LAVICOLI, S.; GASBARRA, E.; LUNDUSI, R.; TARANTINO, U. Work-related musculoskeletal disorders: a systematic review and meta-analysis. Journal of Clinical Medicine, v. 13, n. 13, p. 3964, 2024. DOI: https://doi.org/10.3390/jcm13133964.

HARTVIGSEN, J.; HANCOCK, M. J.; KONGSTED, A.; LOUW, Q.; FERREIRA, M. L.; GENEVAY, S.; HOY, D.; KARPPINEN, J.; PRANSKY, G.; SIEPER, J.; SMEETS, R. J.; UNDERWOOD, M. What low back pain is and why we need to pay attention. The Lancet, v. 391, n. 1, p. 2356-2367, 2018. DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(18)30480-X.

HEALY, G. N.; WINKLER, E. A. H.; MULCAHY, S. K.; BRAKENRIDGE, C. L.; GOODE, A. D. Usage and effectiveness of strategies to sit less and move more: evaluation of the BeUpstanding™ national implementation trial. International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, v. 22, n. 2, p. 63-73, 2025. DOI: https://doi.org/10.1186/s12966-025-01761-4.

HYPÓLITO, Á. V. Trabalho docente, currículo e gestão. In: HYPÓLITO, Á. M. Trabalho docente, classe social e relações de gênero. São Leopoldo: Oikos, p. 140-162, 2020. Disponível em: https://oikoseditora.com.br/new/obra/index/id/1114.

JACOMINI, M. G. O.; PENNA, M. A. Carreira docente e valorização do magistério. Pro-posições, v. 27, n. 2, 2016.

KRAEMER, K.; MOREIRA, M. F.; GUIMARÃES, B. Dor musculoesquelética e riscos ergonômicos em professores. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, v. 18, n. 3, p. 343-351, 2021. DOI: https://doi.org/10.47626/1679-4435-2020-608.

KUENZER, A. Z. A precarização do trabalho docente: IN: Affonso, C.; FERNANDES, C.; FRIGOTTO, G.; MAGALHÃES, J.; MOREIRA, V.; NEPOMUCENO, V. (org). Trabalho docente sob fogo cruzado. Rio de Janeiro: UERJ/LPP, p. 235-250, 2021. Disponível em: http://observatorioedhemfoc.hospedagemdesites.ws/observatorio/wp-content/uploads/2021/05/ebook_-Trabalho-Docente-Sob-Fogo-Cruzado-2-final.pdf.

LEE, J.; HWANG, J.; LEE, K. S. Prediction and comparison of postural discomfort based on MLP and quadratic regression. Journal of Occupational Health, v. 64, n. 1, p. 1-9, 2021. DOI: https://doi.org/10.1002/1348-9585.12292.

MARX, K. O capital: livro I. Paris: NRF, 1965. Disponível em: https://www.gepec.ufscar.br/publicacoes/livros-e-colecoes/marx-e-engels/o-capital-livro-1.pdf.

MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento. 14ed. São Paulo: Hucitec, 2014.

MORAIS, E. A. H.; ABREU, M. N. S.; ASSUNÇÃO, A. Á. Autoavaliação de saúde e fatores relacionados ao trabalho docente. Ciência & Saúde Coletiva, v. 28, n. 1, p. 209-222, 2023. DOI: https: https://doi.org/10.1590/1413-81232023281.07022022.

NIKZAD, S.; PIROUZI, S.; TAGHIZADEH, S.; HEMMATI, L. Relationship between hamstring flexibility and extensor muscle activity during a trunk flexion task. Journal of Chiropractic Medicine, v. 19, n. 1, p. 21-27, 2020. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jcm.2020.02.001.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE - OMS. Low back pain. Genebra, 2023. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/low-back-pain.

RIBEIRO, I. Q. B.; ARAÚJO, T. M.; CARVALHO, F. M.; PORTO, L. A.; REIS, E. J. F. B. Fatores ocupacionais associados à dor musculoesquelética em professores. Revista Baiana de Saúde Pública, v. 35, n. 1, p. 42-64, jan./mar. 2011. Disponível em: https://rbsp.sesab.ba.gov.br/index.php/rbsp/article/download/1017/pdf_314/3488.

SANDLER, S. G.; SPINK, M. K.; HO, A.; JONGE, X. J.; CHUTER, V. H. Restriction in lateral bending range of motion, lumbar lordosis, and hamstring flexibility predicts the development of low back pain: a systematic review of prospective cohort studies. BMC Musculoskeletal Disorders, v. 18, n. 179, 2017. DOI: https://doi.org/10.1186/s12891-017-1534-0.

SANTOS, J. M. C. T.; FIALHO, L. M. F.; MEDEIROS, E. A. Docência(s): história, formação e prática escolares. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, v. 16, n. 3, p. 1377-1385, 2021. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v16iesp.3.15323.

SILVA, A. M. A uberização do trabalho docente no Brasil: uma tendência de precarização no século XXI. Trabalho Necessário, v. 17, n. 34, p. 229-251, 2019. DOI: https://doi.org/10.22409/tn.17i34.p38053.

SILVA, N. R.; ALMEIDA, M. A. Physical and postural aspects of teachers during work activity. Work, v. 41, p. 3657-3662, 2012. DOI: https://doi.org/10.3233/WOR-2012-0005-3657.

SOUZA, G. A.; CARDOSO, V. F.; BARROS, F. C.; TRONDOLI, L. H. C.; MORIGUCHI, C. S.; SATO, T. O. Correlação entre a postura em pé durante o trabalho e dor na coluna lombar e nos membros inferiores em trabalhadoras d limpeza e cuidadoras de idosos. Fisioterapia em Pesquisa, v. 29, n. 2, p. 138-144, maio-ago. 2022. Disponível em: https://search.bvsalud.org/portal/resource/es/biblio-1394357.

SOUZA, V. B.; MEDEIROS, M. G. L. A ergonomia e o trabalho docente. Revista Caminhos da Educação: diálogos, culturas e diversidades, v. 4, n. 3, 2022. DOI: https://doi.org/10.26694/caedu.v4i3.2927.

VEIGAS, M. F. Trabalhando todo o tempo: sobrecarga e intensificação no trabalho de professoras da educação básica. Educação e Pesquisa, v. 48, 2022.

Downloads

Publicado

2026-09-03

Edição

Seção

Artigos de fluxo contínuo

Como Citar

QUEIROZ SOUTO, Alecsandro; REIS COSTA, Samuel; SUZE SOUZA E SILVA, Nayra; ROGÉRIO LADISLAU, Carlos; DANIEL MENDES CUNHA, Saulo. Percepção de professores da educação básica sobre o trabalho docente, postural laboral e ergnomia. Perspectivas em Diálogo: Revista de Educação e Sociedade, [S. l.], v. 13, n. 37, p. 1–21, e25706, 2026. DOI: 10.55028/6stnyx54. Disponível em: https://periodicos.ufms.br/index.php/persdia/article/view/25706. Acesso em: 7 set. 2026.